O fim de uma era — e o início de outra
Nos últimos anos, o dia a dia dos programas de fidelidade relacionados a cartões de crédito passou por um crescimento significante. O acesso às salas VIP tornou-se um marco significativo neste mercado premium, sendo usado por instituições financeiras como um método eficaz de atração e retenção de clientes.
Contudo, a indústria agora se encontra em um ponto decisivo. O aumento no número de usuários, a popularização dos cartões de alta gama e a escalada dos custos operacionais exigem que as organizações revejam suas abordagens. O que à primeira vista poderia ser interpretado como uma leve alteração de benefício, na verdade, reflete uma mudança estrutural profunda no setor.
Como chegamos até aqui
A entrada de fintechs e de bancos digitais intensificou a concorrência no setor. Produtos antes restritos a um pequeno grupo de clientes estão agora disponíveis para um público muito mais amplo.

Bancos como Nubank, Inter, BTG Pactual e Nomad desafiaram instituições tradicionais como Itaú, Santander e Banco do Brasil, ampliando o acesso e as opções de benefícios disponíveis. Essa transformação resultou em uma demanda explosiva, superando a capacidade das salas VIP nos aeroportos.
A economia por trás das salas VIP
Um dado importante a considerar é que o acesso a essas salas gera um custo real para os bancos emissores. Dependendo do contrato específico e do local, o valor pode variar de US$ 20 a US$ 40 por entrada, e esse valor pode ser ainda maior em lounges mais sofisticados.
Esse custo, multiplicado por milhões de acessos anuais, gera uma realidade financeira significativa que é um fator fundamental nas transformações que estamos observando no segmento de cartões de crédito.
O fim do cartão de gaveta gratuito e a busca pela principalidade
Uma das mudanças mais marcantes na indústria é a nova exigência de uso ativo do cartão por parte dos clientes. Durante anos, muitos consumidores mantiveram cartões apenas para usufruir dos benefícios, concentrando seus gastos em outras instituições financeiras. Bancos perceberam que este padrão não é mais viável.
Atualmente, se torna essencial que os emissores queiram ser vistos como o cartão principal na preferência dos clientes. Para conseguir isso, estão vinculando os benefícios a um mínimo de gastos, investimentos e a um relacionamento mais engajado.
Um dos exemplos mais notáveis é o Santander, que aperfeiçoou suas condições para permitir acesso gratuito a lounges. Esta é uma tendência que provavelmente será seguida por várias instituições nos próximos anos.
Por que os bancos querem salas próprias?
O desenvolvimento de lounges próprios proporciona uma oportunidade não apenas de reduzir custos, mas também de fortalecer a marca e personalizar a experiência do cliente. Ao invés de pagar por acessos em programas externos, as instituições passam a ter o controle total sobre a jornada do usuário.
O lounge se transforma, então, em uma extensão da experiência bancária, ao invés de ser visto apenas como um simples benefício adicional.
Guarulhos T3: o principal campo de batalha
O Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos emergiu como um dos locais mais estratégicos dentro do mercado das salas VIP no Brasil. Recentemente, o setor tem testemunhado uma intensa reorganização de espaços: o Banco do Brasil se estabeleceu, enquanto o Safra viu sua participação encolher.
A American Express encerrou suas operações em uma de suas salas mais populares, e o Itaú está se preparando para um lançamento que promete ser muito aguardado pelos seus clientes.
Além disso, instituições como Mastercard e Visa, juntamente com operadores independentes, estão em intensa competição por cada metro quadrado de espaço disponível.
O surgimento das salas ultra exclusivas
Outra tendência crescente é a diversificação dentro da classe premium, levando ao surgimento de lounges extremamente exclusivos. O foco aqui é recuperar o senso de exclusividade que se perdeu com a popularização dos benefícios tradicionais.
Além do novo lounge do Visa Privilege e do Mastercard Taste, também destaca-se a criação do Terminal BTG Pactual, que promete elevar ainda mais a experiência dos viajantes que possuem alta valorização.
Os movimentos dos principais players
Vejamos a seguir as ações de destaque de algumas instituições:
- Nubank investindo em experiências próprias e na integração de seu ecossistema premium.
- Itaú ampliando sua presença física e solidificando sua marca nos aeroportos.
- Santander seguindo a tendência de ajustar seus benefícios para clientes prioritários.
- BTG utilizando os benefícios como parte de sua estratégia de gerenciamento de patrimônio.
- Nomad ligando experiências premium ao contexto financeiro global.
- Inter buscando equilibrar crescimento, satisfação do cliente e lucratividade.
O futuro pode estar fora das salas VIP
O conceito tradicional de lounge já não atende às necessidades de todos os perfis de viajantes. Portanto, alternativas como créditos em restaurantes ao redor dos aeroportos estão se tornando cada vez mais populares, oferecendo maior liberdade aos passageiros.
Outra inovação está no modelo Grab & Go, que permite ao usuário retirar refeições e bebidas sem a necessidade de entrar nos lounges, proporcionando conveniência e agilidade.
O que esperar dos próximos anos
O setor se encaminha para um modelo mais sofisticado e sustentável. Os benefícios continuarão existindo, mas estarão cada vez mais voltados para clientes comprometidos com determinadas metas de gastos, relacionamento bancário e investimento.
Além disso, espera-se que lounges próprios, experiências singulares e opções mais flexíveis ganhem relevância considerável.


