Percentual de famílias com dívidas cresce, mas inadimplência cai

Crescimento do Percentual de Famílias com Dívidas

Em janeiro de 2026, 79,5% das famílias brasileiras se encontravam em situação de endividamento, marcando um pico histórico igual ao registrado anteriormente em outubro. Esse aumento notável no percentual ressalta a crescente pressão financeira enfrentada por muitos lares no país, evidenciada pelas dívidas acumuladas em cartões de crédito, financiamentos e outras modalidades de crédito.

Análise da Pesquisa de Endividamento

Os dados que embasam essa análise provêm da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Este levantamento revela não apenas a questão do endividamento, mas também a queda no percentual de famílias que enfrentam dificuldades para honrar suas obrigações financeiras, o que caracteriza uma leve recuperação no cenário econômico.

Impacto da Renda no Endividamento Familiar

A relação entre renda e endividamento é crucial para entender o cenário atual. O estudo mostra que as famílias com rendimento mensal de até três salários mínimos apresentam uma taxa de endividamento de 82,5%. Em contraste, a situação é diferente para aqueles que recebem mais, com apenas 68,3% das famílias com renda superior a dez salários mínimos lutando contra dívidas. Esta discrepância entre diferentes grupos de renda indica que as famílias de menor poder aquisitivo enfrentam um fardo financeiro mais severo.

percentual de famílias com dívidas

Formas Mais Comuns de Endividamento

A investigação identificou que o cartão de crédito é a forma de dívida mais prevalente entre as famílias. A seguir, estão as principais fontes de endividamento:

  • Cartão de crédito: 85,4%
  • Carnês: 15,9%
  • Crédito pessoal: 12,2%
  • Financiamento de casa: 9,6%
  • Financiamento de carro: 8,7%
  • Crédito consignado: 6%
  • Cheque especial: 3,4%
  • Outras dívidas: 2,5%
  • Cheque pré-datado: 0,3%

O Comprometimento da Renda com Dívidas

O comprometimento médio da renda das famílias com relação ao pagamento de dívidas atingiu a marca de 29,7%. Além disso, a pesquisa indicou que cerca de 19,5% das famílias têm mais da metade de sua renda comprometida com dívidas. Essa situação revela a dificuldade financeira que muitos enfrentam e destaca a importância de uma gestão financeira efetiva.

Perfil das Famílias Inadimplentes

A inadimplência, que se refere às famílias que não conseguem pagar suas dívidas em dia, apresentou uma queda em janeiro, atingindo 29,3%. Essa é a terceira queda consecutiva, após um período de alta em meses anteriores. A análise mostra que o percentual de famílias com contas atrasadas é maior entre aquelas com rendimentos menores; 38,9% das famílias que ganham até três salários mínimos enfrentam essa situação, enquanto apenas 14,9% das que recebem mais de dez salários mínimos estão inadimplentes.

A Queda da Inadimplência: O Que Está Por Trás?

O processo de redução da inadimplência pode ser atribuído a uma combinação de fatores econômicos e mudanças de comportamento entre os consumidores. Embora a queda tenha sido observada, a CNC alerta que o índice de endividamento ainda é motivo de preocupação. O alerta tem o objetivo de chamar a atenção para potenciais riscos, especialmente em um cenário de juros altos, que podem impactar a capacidade de pagamento das famílias.

Juros Altos e Seus Efeitos nas Finanças

Atualmente, os altos juros têm efeitos diretos sobre o orçamento familiar. A taxa Selic se encontra em 15% ao ano, o que representa um dos mais altos índices desde 2006. Esse cenário restringe o acesso ao crédito e repercute nas decisões financeiras das famílias, fazendo com que muitos optem por evitar novas dívidas e priorizem a quitação das existentes.

Projeções para o Endividamento Futuro

As projeções da CNC indicam que o percentual de famílias endividadas deve continuar a subir nos próximos meses, com estimativas apontando para 80,4% em junho. Essa expectativa reflete a continuidade do estresse financeiro enfrentado por muitas famílias, especialmente em um contexto de juros elevados. Em contrapartida, a inadimplência pode apresentar uma trajetória de queda, com estimativas chegando a 28,9%, sugerindo uma possível melhoria na capacidade de pagamento.

Como Gerenciar Dívidas em Tempos Difíceis

Diante desse cenário desafiador, é fundamental que as famílias adotem estratégias eficazes para gerenciar suas dívidas. Algumas dicas incluem:

  • Criação de um orçado: Estabeleça um planejamento financeiro que permita controlar gastos e priorizar pagamentos de dívidas.
  • Negociação de dívidas: Sempre que possível, busque renegociar condições para tornar o pagamento mais viável.
  • Evitar novas dívidas: Limite o uso do cartão de crédito e evite empréstimos desnecessários até que a situação financeira melhore.
  • Acompanhamento das finanças: Use aplicativos e ferramentas que ajudem a monitorar despesas e a manter o controle financeiro.
  • Educação financeira: Invista em conhecimento sobre finanças pessoais, buscando entender melhor como gerenciar recursos e como funcionam as dívidas.